EPC retoma agenda de adaptação empresarial às mudanças climáticas com grupo de trabalho

1º GT de Adaptação abre trabalho da EPC em 2015 no tema de adaptação às mudanças climáticas com reflexão sobre resultados do ciclo anterior e sobre soluções para que empresas desenvolvam estratégias eficientes de adaptação às mudanças climáticas 15/04/2015
COMPARTILHE

Por Bruno Toledo (GVces)

O 5º relatório de avaliação do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças do Clima (IPCC), concluído no ano passado, foi taxativo: as alterações climáticas já fazem parte de nossa realidade. Por isso, não basta mais atuar apenas na redução das emissões de gases de efeito estufa (ou mitigação) – precisamos nos preparar para enfrentar as primeiras consequências inevitáveis desse processo climático. Ou seja, os esforços de mitigação precisam ser combinados com medidas de adaptação, que aumentem a resiliência de comunidades e economias às intempéries climáticas que tendem a ficar mais frequentes e/ou intensas com as mudanças climáticas.

Nesse contexto, o setor empresarial já busca caminhos para viabilizar seus negócios no futuro, ao mesmo tempo em que interage com a sociedade civil e os governos na construção dessa resiliência climática. No Brasil, a Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), iniciativa do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces), é uma das pioneiras na reflexão sobre o tema de adaptação no âmbito empresarial, e desde o ano passado vem desenvolvendo atividades, ferramentas que facilitem o processo de definição de estratégias de adaptação dentro do ambiente corporativo.

null No último dia 31 de março, a EPC promoveu o primeiro encontro do grupo de trabalho (GT) sobre adaptação em 2015, com o propósito de retomar os esforços iniciados em 2014 e refletir sobre soluções para superar obstáculos e barreiras que as empresas enfrentam no dia-a-dia na definição de suas estratégias de adaptação. (Foto: Adaptação é palavra-chave para construir negócios resilientes num cenário climático incerto. Na foto, tempestade no litoral de Santa Catarina, que causou perdas em 2008 - Milton Jung)

“O objetivo da nossa linha de adaptação é mobilizar o setor privado e promover ações empresariais relacionadas ao gerenciamento de riscos climáticos, engajando as empresas na construção de uma cultura de adaptação alinhada à mitigação”, explica Natália Lutti, pesquisadora do GVces e da EPC. “O empreendedorismo do setor privado é importante para desenvolver essa agenda, e cada vez mais os stakeholders pressionam as empresas por mais transparência e mais informações sobre seus riscos climáticos”.

O encontro contou com a participação de Lincoln Muniz Alves (foto abaixo), pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CCST/INPE), que abordou os esforços científicos na construção de projeção de cenários climáticos, uma ferramenta importante para que governos e empresas possam definir estratégias de adaptação climática. “Compreender os possíveis impactos das mudanças climáticas em diferentes cenários de emissões é fundamental para que a ação seja tomada para atenuar as alterações climáticas, bem como para informar o planejamento da adaptação”, explica Lincoln.

null

Segundo o pesquisador, o relatório mais recente do IPCC aponta que a América do Sul está entre as regiões do planeta que mais poderão ser afetadas pelas mudanças climáticas, o que exige dos governos da região um preparo mais atento e cuidadoso para suportar os impactos já previstos. “A ciência já reconhece o problema, vê os impactos e lida com eles no dia a dia, mas a liderança política ainda coloca isso como algo muito longe, e não reconhece de fato seus potenciais impactos”, aponta Lincoln. “O desafio é incluir na agenda dos governos em países em desenvolvimento, que lidam com problemas como pobreza, a agenda das mudanças do clima”.

No ano passado, o trabalho da EPC em adaptação empresarial às mudanças do clima resultou no desenvolvimento de um framework para elaboração de estratégias empresariais de adaptação, acompanhado de uma ferramenta de apoio. Além disso, cinco empresas membro da EPC desenvolveram projetos piloto de utilização dessas ferramentas no ano passado. Para 2015, o objetivo da EPC é organizar mais projetos piloto junto a outras empresas, de forma a disseminar uma cultura de elaboração de estratégias empresariais em adaptação, gerar casos de referência e subsidiar o aprimoramento do framework e da ferramenta de apoio.