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Nordestina (BA) Extração ilegal de ouro sustenta região

07/05/2013 - Valor Online - De Nordestina, Bahia

Wilson Matos, prefeito de Nordestina: "Com essa seca, é o ouro que ajuda"

Enquanto a produção de diamantes não começa, a economia de Nordestina e de municípios vizinhos se escora na extração ilegal de ouro.  É uma atividade que já dura algumas décadas e envolve centenas de famílias.  Nos últimos três anos em que a seca dizimou a agricultura e matou milhares de animais, o garimpo ganhou importância como uma das poucas fontes de renda que resistiram no local.  A mineradora canadense Yamana tem funcionários na cidade fazendo prospecções.

"Com essa seca, é o ouro que ajuda", resume o prefeito Wilson Araújo Matos (PSD).  "Por semana circula aqui entre três quilos a quatro quilos de ouro.  Até uns dias atrás, o grama na cidade estava sendo vendido a R$ 80, ou seja R$ 320 mil a R$ 360 mil por semana", contou ele.  "Tem semana que passa dos 40 quilos."  De acordo as últimas estimativas de que teve notícia, haveria entre 600 e 700 pessoas nos garimpos.

Trata-se de uma atividade sem registro, sem autorização e sem fiscalização.  Mas é o que ajuda a jovem Nordestina - com seus 28 anos de fundação - se manter.  "O dinheiro do ouro circula aqui mesmo no comércio."  As fontes principais de renda do nordestinense, continua ele, são a extração e venda de ouro, salários da prefeitura, aposentadoria e Bolsa Família.

No fim de abril, quando esteve na cidade, o Valor visitou dois garimpos e uma improvisada oficina de "queima" do ouro, que o transforma em pelotas douradas.  A maioria dos trabalhadores se negou a falar com a reportagem.

Jackson Monteiro da Silva, de 19 anos, contou que tinha acabado de terminar seu turno de trabalho que havia começado às 23 horas da noite anterior.  Foram 24 horas, quase todas passadas debaixo do chão.  Turnos assim são rotina aqui.  Um de seus irmãos trabalhou com ele.  O garimpo de onde emergiu é um buraco vertical na rocha, com um metro e meio de diâmetro.  Uma lona encardida serve de tenda sobre a boca.  O buraco tem 60 metros de profundidade, diz o rapaz.  Parece impossível que com dinamite e sem nenhum cálculo, garimpeiros tenham ido tão longe.  Mas como saber?  Olhando para baixo, o que se vê são alguns metros de rocha e depois breu.  Há duas bocas iguais a essa a poucos metros de distância.  O jovem garimpeiro diz que elas se encontram lá embaixo.  Ao todo seis homens passaram à noite trabalhando.  Equipamento de proteção?  Não.

"Às vezes, a gente faz R$ 1 mil por semana.  Isso, quando acerta", diz Silva na sombra da tenda.  E o que faz com o dinheiro?  "Eu estou ajudando meu pai.  Ele trabalha na roça.  Trabalha para ele e para os outros.  Ele tinha sete cabeças de boi, ficaram duas.  Com essa seca, nós é que estamos sustentando a família.  Eu e mais dois irmãos estão no garimpo", conta.  São sete irmãos ao todo.  Cinco morando na casa dos pais.  Os ganhos ficam com os donos dos maquinários (compressores de ar e moinhos para a separação do ouro das rochas que são extraídos do fundo da terra); com os donos das terras e com os garimpeiros.

A busca por ouro nas terras da cidade ganhou recentemente outro perfil.  Funcionários da Yamana, produtora de ouro com sede no Canadá, que circulam na cidade, trabalham em atividades de prospecção.  A 80 km de Nordestina, em Santa Luz, a Yamana já tem uma mina a céu aberto cuja produção deve começar este ano.  Outras três minas - duas na Bahia e outra em Goiás - estão em produção.  (MMS)
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