Oficina abre agenda de trabalho da EPC em adaptação às mudanças do clima

Além de alinhar os principais conceitos relacionados à adaptação as mudanças do clima, a equipe da Plataforma Empresas pelo Clima apresentou um “framework” e uma ferramenta para apoiar as empresas na elaboração de agendas empresariais de adaptação. 17/04/2014
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Bruno Toledo

Dentro do debate técnico e político-econômico sobre mudanças do clima, o tema da adaptação é relativamente recente na agenda, e sua importância acabou acompanhando a evolução da certeza científica sobre as alterações climáticas e a constatação de que alguns dos impactos previstos já estão acontecendo pelo planeta. Essas descobertas reforçaram a necessidade de uma ação complementar à mitigação das mudanças climáticas: a adaptação da cadeia de negócios e da sociedade aos efeitos desse processo climático.

“Lidar com mudanças do clima apenas com mitigação não é mais suficiente”, explica Renato Armelin, coordenador do programa Sustentabilidade Global do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces). “Os impactos já existem e estão afetando a economia, a sociedade e, naturalmente, os negócios”. Assim, o tema da adaptação as mudanças do clima vem se tornando cada vez mais estratégico na agenda de discussão técnica, política e econômica em clima, mobilizando governos, sociedade civil e empresas.

A partir da experiência do Fórum Latino Americano de Adaptação às Mudanças do Clima, realizado pela Plataforma Empresas pelo Clima (EPC) em parceria com a UNFCCC no ano passado, uma das propostas de trabalho da EPC para o Ciclo 2014 é exatamente apoiar as empresas na elaboração de agendas empresariais de adaptação a partir dos riscos e oportunidades associados aos impactos das mudanças climáticas. E para marcar o começo desse trabalho, a EPC promoveu uma oficina sobre o tema em 19 de março passado na FGV-SP, tendo como um dos propósitos alinhar os principais conceitos relacionados à adaptação climática junto às empresas membro, compartilhando experiências bem sucedidas no tema.

Além desse alinhamento conceitual, a oficina também serviu para que a equipe da EPC apresentasse dois produtos em desenvolvimento voltados para apoiar as empresas na elaboração de agendas empresariais de adaptação: um framework, resultado do Fórum Latino Americano de Adaptação, para orientar a estruturação dessas agendas; e uma ferramenta para apoiar a implementação do framework. Esses produtos deverão ser aprimorados, a partir das sugestões e experiências das empresas membro da Plataforma, para isso outros dois encontros estão agendados com as empresas membro no decorrer de 2014.

A oficina também contou com a apresentação do caso Climagrid, desenvolvido pela EDP Bandeirantes, um dos casos apresentados durante o Fórum Latino Americano (saiba mais).

O desafio da adaptação às mudanças climáticas para as empresas

O tema da adaptação às mudanças climática é relativamente novo dentro da agenda de discussão política sobre mudanças do clima, o que contribui para certa confusão entre conceitos e entendimentos por parte de organizações, governos e até mesmo especialistas. No entanto, mesmo sem consensos conceituais, podemos desenhar entendimentos comuns que permitam a ação das empresas e dos demais atores.

A relevância que o tema adquiriu nos últimos anos explica a necessidade de se olhar com mais atenção para adaptação: muitos dos efeitos climáticos decorrentes do aumento da temperatura média do planeta nas últimas décadas já fazem parte da realidade de comunidades e negócios em todo o mundo. Apenas no Brasil, as disparidades nos padrões de precipitação observadas nos últimos anos já mostram que o país é bastante vulnerável às mudanças climáticas, tanto nos centros urbanos espalhados ao longo do litoral como nas grandes regiões de lavoura no interior e em seu bioma mais preservado, a Amazônia.

Um exemplo atual dessa vulnerabilidade é a estiagem que atingiu o Sudeste brasileiro no último verão, que esvaziou os mananciais que abastecem a maior metrópole do país, São Paulo. O impacto da estiagem pode ser ainda maior, já que os mananciais não estão se recuperando, o que pode comprometer bastante o abastecimento de água durante o inverno, período tradicionalmente seco na região. Muitas empresas já enfrentam as consequências da falta d’água no Sudeste, mesmo aquelas que não utilizam água em seu processo produtivo, e estão tendo que encontrar alternativas para continuar funcionando durante o período de seca.

Para as empresas, o tema da adaptação climática dialoga diretamente com a capacidade dessas organizações em identificar suas vulnerabilidades, conhecer os riscos decorrentes para suas operações e negócios, e desenhar ações viáveis e efetivas para diminuir os impactos negativos e, se possível, maximizar os benefícios. Assim, diferentemente das ações de mitigação, as ações de adaptação geram resultados diretos para a própria empresa, melhorando sua condição de lidar com pressões e impactos decorrentes das mudanças do clima. Ou seja, adaptar-se a essas mudanças permite às empresas ter maior segurança sobre a sustentabilidade das suas operações e negócios.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)

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