Oficina de Transporte e Logística na Gestão de GEE

11/12/2011
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GVces, 21/09/2011 
Luiza Xavier

 

Enquanto o Plano Setorial de Transportes, vinculado à Política Nacional de Mudanças Climáticas, está em processo de construção sob a coordenação do Ministério do Meio Ambiente, com entrega prevista para 15 de dezembro, a Plataforma Empresas pelo Clima do GVces (Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV/ EAESP) une especialistas e representantes do empresariado brasileiro para discutir a importância do tema.

Em oficina realizada no dia 20 de setembro, na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo, estiveram presentes o palestrante Manoel A.S. Reis (Centro de Excelência em Logística e Supply Chain da FGV/EAESP - GVcelog), que trouxe um panorama dos sistemas de transportes no país e no mundo, além dos representantes dos três principais modais: Marcos Machado Soares  (FENAVEGA, CNT), que abordou o sistema hidroviário,  Ricardo Kallas (VIX Logística S/A), que apresentou um panorama do sistema rodoviário, e Sérgio Lombardi (Alstom, ABIFER), que tratou de temas ligados à malha ferroviária.

“O momento é de discussão de cenários atuais e projeções futuras, metas, ações, indicadores e definição de ano base de referência (baseline) para o cálculo de emissões  de gases do efeito estufa”, explicou o coordenador de políticas públicas do GVces, Guarany Osório. Segundo o pesquisador, a discussão junto às empresas é fundamental. “As maiores emissões no setor energético brasileiro estão relacionadas ao transporte. Quase a metade é proveniente dos transportes", concluiu Guarany.

 

Modais de transporte

No Brasil, a matriz de transportes está focada no modal rodoviário, que corresponde a 58% do total, seguido do ferroviário (25%) e do modal hidroviário (13%). De acordo com o professor Manoel Reis, o país precisa de um planejamento integrado entre esses modais, e uma visão de longo prazo para avançar em eficiência.

Com o crescimento exponencial da frota viária brasileira, os números apontam para um processo de baixa produtividade, poluição e ineficiência. É o que evidencia o coordenador do GVcelog. "Um exemplo desta falta de eficácia está também no envelhecimento da frota rodoviária brasileira que possui em média 15 anos, enquanto o ideal é cinco anos, contribuindo para altos níveis de poluição, entre outros impactos",  apontou Reis.

A problemática que envolve as emissões de GEE também se liga à questão dos transportes. No que se refere ao consumo de combustíveis no país, o setor rodoviário consome quase 96% do total. "Se a matriz energética continuar sendo fundamentada nos combustíveis fósseis, estima-se um aumento mundial das emissões entre 25% e 90% entre 2000 e 2030", comentou Reis. A ideia é diminuir o transporte rodoviário e facilitar o uso dos demais modais por meio de políticas de incentivo e parcerias público privadas.

 

Mesa Redonda 

Mediada por Guarany Osório,  a discussão  uniu representantes dos três principais modais de transporte existentes no Brasil. Como facilitar as parcerias público privadas através de consórcios,  a falta de segurança jurídica e a inconstância das políticas ligadas ao tema estiveram entre os assuntos debatidos. Quando perguntados sobre a inclusão dos riscos climáticos no planejamento das malhas, Marcos Machado Soares  (FENAVEGA/CNT),  representante do setor hidroviário foi o único a responder afirmativamente. "O setor hidroviário é muito impactado pelas mudanças climáticas", enfatizou. Ele levantou questões ligadas às diferentes regiões do país e suas dificuldades infraestruturais.

Sobre o potencial de redução de emissões do setor rodoviário, Ricardo Kallas discorreu acerca da lei Proconve 7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), que promoverá,  a partir de 2012 a redução de enxofre contida no diesel.  Além da alteração nos combustíveis será necessária uma adaptação nos veículos: os novos caminhões fabricados virão com dispositivos ligados aos motores  para atender a nova legislação ambiental brasileira. 

Sérgio Lombardi, que tratou de temas ligados à malha ferroviária, citou os veículos elétricos, no caso de transporte de passageiros, além da substituição de diesel por combustível B-20, com planos para B-25, como alternativa viável visando a diminuição das emissões e a maior eficiência. 

Ao final da dinâmica, ambos os especialistas afirmaram que é necessário incluir as mudanças climáticas como parte dos planejamentos estratégicos em transporte e concluíram que a melhor alternativa visando uma economia de baixo carbono é investir a longo prazo em uma infraestrutura integrada, possibilitando a intermodalidade tanto no transporte de cargas quanto no transporte de passageiros.

 

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Cartilha do EPC: Transportes e Logística na Gestão de Emissões de Gases de Efeito Estufa


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