Protocolo para contabilização de gases estufa no Setor Agropecuário

11/12/2011
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GVces, 10/05/2011
Paula King

Novo protocolo que dará diretrizes para contabilização de emissões de gases do efeito estufa (GEE) no setor Agropecuário conta com a cooperação do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces). A nova ferramenta está sendo desenvolvida pelo World Resources Institute (WRI), nos Estados Unidos. O WRI é responsável pelo GHG Protocol, a metodologia mais utilizada no mundo para inventários de GEE e adaptada ao contexto brasileiro pelo GVces.

Para a construção do protocolo, o programa Sustentabilidade Global do GVces contribuirá em três frentes: com a reunião de especialistas e empresas ligadas ao setor agropecuário; no levantamento dos principais gargalos da contabilização de GEE; e no envio de comentários que visam uma ferramenta mais adequada à realidade do mercado. Uma das chamadas para possíveis colaboradores foi feita na última quinta-feira, dia 5 de maio, durante evento do Grupo de Trabalho do Agronegócio.

"Empresas do setor agrícola, ou relacionadas a ele, costumam encontrar entraves na hora de contabilizar suas emissões de GEE", afirma Natalia Lutti, pesquisadora do GVces. Entre os fatores que explicam isso estão a variabilidade temporal e espacial das emissões não-mecânicas; a dificuldade em separar as influências de fatores naturais daquelas das práticas de gestão do solo; a projeção a partir do ano da safra e não do calendário clássico. "Há também questões referentes à variação dos estoques de carbono do solo. E tudo isso somado a estruturas organizacionais próprias do setor”, argumenta Lutti.

De acordo com a pesquisadora, o novo protocolo será capaz de dar diretrizes adequadas para possibilitar e padronizar a contabilização no setor de agricultura e pecuária. "A intenção é estimular a contabilização de emissões e permitir mais empresas a produzirem seus inventários agrícolas”, explica Natália Lutti.

No Brasil, 22% das emissões dos GEE são oriundas da agricultura. Segundo dados do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), 11% deste total são causados a partir do processo digestivo de bovinos, caprinos e suínos, que produz o gás metano, 9% são gerados pelo uso dos solos nas áreas rurais e os 2% restantes têm como fonte a cultura de arroz e a queima de resíduos agrícolas.

Economia de Baixo Carbono

Economia de Baixo Carbono é uma expressão usada para representar uma economia menos carbono intensiva. Para alcançar este objetivo, entende-se que as organizações (empresas e governos) devem primeiramente medir suas emissões de GEE para depois geri-las e, assim, juntar esforços para reduzi-las.

O Programa Brasileiro GHG Protocol, assim como o novo Protocolo para o Setor Agropecuário, são ferramentas utilizadas para medir as emissões de GEE de uma organização. Na mesma linha, o programa Empresas Pelo Clima, também encabeçado pelo GVces, se encarrega de capacitar essas organizações para estas praticarem a gestão e redução das emissões.